Projetos paralelos sempre dizem algo que não pode ser dito em outro lugar, ou talvez, são simplesmente novos caminhos a serem percorridos a favor de outras sonoridades, mas também em pró de experiências pessoais, afinal, a vida tem múltiplos caminhos.
Como tenho comentado anteriormente, apesar de gostar de discos fechados, no sentido de uma proposta musical, gosto enormemente da surpresa do “play” na seqüência das faixas. Gosto de perder o sentido, mas gosto que ele volte no final também. Foi assim com o disco debut da dupla integrante da banda da Pitty, Martin, guitarrista da banda, e Eduardo, baterista. Neste projeto, Martin vai da guitarra ao violão e baixo, e claro, os vocais, enquanto Eduardo fica na bateria. O disco "Dezenove Vezes Amor" conta também com a participação de Pedro Pelotas (sintetizador e órgão), aonde Joe toca o baixo em muitas músicas e PJ toca baixo em “Passa a volta”.
Etiquetas não funcionam muito bem aqui, aliás, quando elas funcionam? O disco não é só uma surpresa na seqüência das faixas, mas também nos arranjos, que pouco a pouco vão mostrando a grandeza do disco, com rifs familiares que nos leva para outros rumos próprios. O disco parece mostrar parte de uma experiência de escutar e viver a vida imbuída na música, onde fronteiras delimitadas parecem dissolver-se e reconformar-se na experiência criativa pessoal. Martin soube aproveitar sua voz, explorá-la e, sobretudo, conhecê-la – embora esse seja sempre um projeto inacabado.
A simbiose criativa de ambos fica clara no espaço dos instrumentos, em momentos que uns vão para frente e outros para trás, marcando compassos & “ritmosidades” que nos lembram que “Martin & Eduardo” são um projeto a dois.
“Dezenove Vezes Amor” fala, nas suas nove faixas, da vida quase no ritmo de um “road-movie”. Entendemos assim que a vida passa, mas ao mesmo tempo em que passa, marca, e parte dessas marcas é o registro musical deste disco, que entre letras e melodias convida a deixar um pouco de lado os rótulos. Ao final, a vida é a mistura de experiências individuais com experiências coletivas dos outros, ao que parece, a música também.