Aproveitando a vinda da dupla Pitty & Martin para discotecar na festa Play! me pareceu oportuno resenhar o relativamente recente (nov 2011) disco homônimo de Agridoce, projeto formado por Priscilla Leone (Pitty) e Martin Mendonça. Gravado na Serra de Cantareira (SP) em 2011, a dupla vinha trabalhando faz uns anos em algumas das composições do disco.
Agridoce, antes que tudo, me parece uma alegoria a vida, a vida real, ao peso e a leveza do dia a dia, onde, seja como atores vivos ou espectadores reclusos, vivemos os brotes de alegrias e tristezas. Agridoce não só nos entregou um disco, senão um mundo onde nos podemos refugiar e reencontrar-nos dia a dia.
A linguagem musical baseia-se numa cativante harmonia de sussurros, cantos e coros, acompanhados fundamentalmente pelo piano e teclado – tocados por Pitty – e de violões – tocados por Martin. Acrescenta-se ainda alguns sons que acompanham parte do disco. Mas talvez as “vozes” sejam tão importantes porque dão vida a sentimentos, acolhidos numa frutuosa relação íntima entre letras-poemas e música.
Onde vemos influências de diferentes vertentes de folk (seja musicalmente ou em letras), vemos também um caminho criativo próprio traçado por uma dupla que transcende a linearidade do um mais um, onde sempre há espaço para re-criar.
O disco é composto por 13 faixas, a grande maioria em português, mas também com surpresas como uma em francês (Ne Parle Pas), uma em inglês (I say), uma bilíngue (Upside down), e um cover do The Smiths (Please, Please, Please, Let Me Get What I Want). Para itunes tem um bônus track, a faixa “La Javanaise”.
Na suma das faixas, nisso tudo que compõe o álbum, fica a estranha sensação de que ao re-escutar o disco, este parece novo. Afinal, emoções não se vivem sempre da mesma forma.